Menus:
Dicas do Professor
Pode o álcool comprometer o ganho de massa muscular?
Um dos principais objetivos da maioria dos praticantes de musculação é aumentar sua massa muscular, e este fenômeno depende de diversas variáveis: o treinamento, a genética, a alimentação e os hábitos de vida.
Mas, sobretudo, o ganho de massa muscular está correlacionado com o perfil hormonal do indivíduo, principalmente com as quantidade naturais de testosterona do organismo.
A testosterona é um dos principais hormônios anabólicos produzidos naturalmente pelo organismo e o objetivo final de qualquer praticamente de musculação é aumentar a produção natural deste hormônio.
Então, por que o álcool não é adequado para aqueles que pretendem aumentar sua massa muscular, sendo que existem estudos onde a ingestão regular de álcool, quando efetuada em moderação, parece ter efeitos positivos sobre o perfil de saúde?
Existem alguns fatores a serem analisados para respondermos esta questão. Primeiro, os indivíduos analisados nestes estudos são da população em geral, que normalmente não estão submetidos a programas intensos de treinamento.
Segundo, alguns estudos demonstram a resposta negativa que o álcool possui sobre os índices de testosterona.
Terceiro, o fato de que a única bebida alcoólica que tem algum benefício demonstrado ser o vinho tinto, dentro do contexto da vida da população francesa, o que cunhou o tão conhecido “paradoxo francês”.
Os franceses ingerem altas quantidades de comidas gordurosas e colesterol, ao mesmo tempo que possuem uma baixa incidência de doenças cardiovasculares.
Um dos indicadores do risco da ocorrência de doenças cardiovasculares reside na proporção das concentrações de HDL (High Density Lipoprotein – Lipoproteína de Alta Densidade), conhecida usualmente como o colesterol “bom”, e de LDL (Low Density Lipoprotein – Lipoproteína de Baixa Densidade), conhecida como colesterol “ruim”.
Alguns estudos demonstraram que a ingestão de 1 a 3 drinques por dia eleva a concentração de HDL, o que diminui o risco da ocorrência de problemas cardiovasculares.
Este efeito benéfico do álcool depende das concentrações iniciais de LDL, pois indivíduos com concentração de LDL dentro ou abaixo do normal parecem não obter nenhuma proteção da utilização do álcool.
É sabido que aqueles que praticam atividades físicas regularmente e ingerem uma dieta equilibrada possuem baixa concentração de LDL e, conseqüentemente, não obterão grandes benefícios de uma moderada ingestão alcoólica.
Quanto a ação do álcool sobre os níveis de testosterona, diversos estudos demonstram que a alta ingestão desta substância acarreta a atrofia do tecido testicular, reduzindo assim a produção de testosterona, além de causar anormalidades nos espermatozóides.
Como decorrência deste cenário temos uma perda em até 20% da massa muscular em adultos alcoólatras, fenômeno conhecido como miopatia alcoólica, no qual temos uma atrofia das fibras musculares do tipo II, que são as mais importantes dentro do processo de hipertrofia.
É fácil concluir que o uso moderado e ocasional do álcool pode ser até benéfico para a saúde e longevidade, mas infelizmente muitos alcoólatras iniciam seu vicio desta forma.
Caso seu objetivo seja uma vida longa, saudável e com mais musculatura, a melhor receita ainda reside na combinação de exercícios físicos com uma dieta equilibrada.
Bibliografia
Alcohol Alert (1992). Moderate drinking: Benefits and risks. Alcohol Alert, 16.
Klasky, A. L. (1988). The Cardiovascular effects of alcohol. Alcohol, 22 (1), 1178-1204.
Lagrond, (Eds.), (1997) Subtance Abuse: A Comprehensive Textbook (3rd ed.). Baltimore: Williams & Wilkins.
Sacco, R. L. Elkind, M. Boden-Albala, B. Et. Al (1999). The protective effects of moderate alcohol consumption on ischemic stroke. JAMA, 281(1).
